segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Movimentos entre Placas, Vulcanismo e Origem de Oceanos e Atmosfera

Há lugares na crosta onde ocorre construção de crosta. Vocês se lembram que eu lhes falei sobre a separação da África e do Brasil? Pois é, entre os dois (bem no local exato onde estavam a 230 milhões de anos) há uma rachadura, e, na verdade, está mais para uma cadeia de montanhas submarinas, chamada de Dorsal Meso-Atlântica. Em regiões como essa ocorre um movimento de placas chamado DIVERGENTE. É uma grande rachadura por onde ocorre subida de material do manto. Ora pessoal, se está subindo material e esse material rochoso está se agregando ao leito oceânico, está havendo o que? Destruição ou Construção? Construção, né! Bom, pensem comigo. Se aqui a crosta está sendo construída e a placa está em movimento, o que está acontecendo na outra ponta??? A placa está sendo destruída, professor!!! Isso mesmo... Mas bem na outra ponta, o que temos??? A Cordilheira dos Andes, não é mesmo.... Alguém saberia me dizer o tamanho dela??? Uns 6500 metros??? Quase. O ponto mais alto é o pico do Aconcágua, na Argentina, que mede 6952 metros de altitude. Cadeias como os Andes começaram a serem formadas há 70 milhões de anos. Há ainda o Everest, os Alpes, os Atlas e as Montanhas Rochosas, todas formadas pelos mesmos processos. Na verdade, o que acontece é que uma placa oceânica entre debaixo de uma placa continental. Como o movimento não pára, a placa continental começa a se dobrar em cima da oceânica, formando uma zona de subducção, que gera as cadeias de montanhas. Em zonas de subducção, há destruição de leito oceânico e esse material destruído volta a superfície, por meio dos vulcões. Esse movimento, de uma placa indo em direção a outra, é chamado de CONVERGENTE.

Zonas de subducção são regiões onde há ocorrência acentuada de vulcões. Andes, Rochosas, Alpes, etc... todos eles possuem vulcões. O que acontece é que, como uma placa entra debaixo da outra (pois uma é mais densa que a outra), esta provoca a subida de material do manto (ou da própria placa destruída). Bom, trata-se de uma região de instabilidade sísmica também, onde encontramos os maiores terremotos do mundo, pois as rochas vão acumulando tensões provocadas por esses movimentos convergentes das placas tectônicas, até que há o rompimento de rochas, gerando falhas e liberando essa energia acumulada das tensões. Os vulcanismos também seguem essa lógica dos encontros de placas, tanto é que ao redor do Oceano Pacífico existe o Circulo de Fogo, que nada mais é que a Placa do Pacífico rodeada por zonas de vulcões e terremotos. Uma questão interessante: Há vulcões no Himalaia??? Hmmm, não sei! Hehehe, eu respondo. Não há vulcanismo relevante na cordilheira do Himalaia. Porque a natureza do dobramento ali é um pouco diferente. Lá, a Placa Indo-Australiana se choca contra a Placa Euro-Asiática, gerando um choque entre duas placas continentais de mesma densidade. Em conseqüência disso, não há formação de zonas de subducção, nem de vulcões, mas gera-se uma cordilheira muito mais robusta. Por ser encontro de placas, é uma região de ocorrência de terremotos. Pois é, não há vulcanismo considerável, pois não há destruição de placas. O ultimo tipo de movimento das placas é o movimento CONSERVATIVO ou TRANSFORMANTE. Esse tipo de movimento entre placas é transversal, na qual uma placa se movimenta paralelamente a outra. O resultado desse movimento é um elevado acúmulo de tensões, devido ao atrito existente entre as duas placas. Um grande exemplo de onde ocorre isso é na falha de Santo André, no estado da Califórnia. Daqui a 50 milhões de anos, parte da Califórnia formará uma ilha ao sul do Alasca.


O vulcanismo pessoal, em um conceito mais amplo, referindo-me ao processo de saída de material proveniente do interior da Terra, é responsável pelo inicio do ciclo das rochas, pelos movimentos endógenos e pela formação tanto dos oceanos quanto da atmosfera, além de influenciar essa última nos vários fenômenos vulcânicos que a Terra já sofreu. Mas vamos por partes.

Oceanos e atmosfera tiveram seu início dentro da Terra. Isso porque, junto do magma, temos H2O dissolvido, que é liberado para a atmosfera tanto durante as erupções quanto durante o resfriamento das rochas. Então, especula-se que como a Terra era uma bola de fogo incandescente, muito vapor d’água foi liberado. Como a Terra é um sistema fechado (quer dizer, nada se perde, tudo se transforma – célebre frase dita por Lavoisier), esse vapor ficou na atmosfera, até começar a se condensar e chover. Quando começou a chover, choveu por dezenas e centenas de milhões de anos e era justamente essa chuva que ajudava o planeta a se resfriar, pois caia e tornava a evaporar, devido às altas temperaturas. Bem, com isso a atmosfera obviamente ficou rica em vapor d’água e a água começou a predominar no sistema Terra, o que mudou completamente as características do nosso planeta. Foi assim, com essas chuvas torrenciais, que os Oceanos foram formados. O sal também veio das rochas, principalmente pela chegada de material erodido das áreas continentais (essa é a principal hipótese). A atmosfera começou a mudar, mas semelhante a que temos hoje, somente com o advento dos grandes vegetais. Na atmosfera original da Terra, havia grande quantidade de gases tóxicos, que foram substituídos gradualmente por grandes porções de oxigênio gerado a partir da proliferação dos primeiros seres fotossintéticos.

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